Tekever capta US$ 580 milhões e chega a US$ 6,4 bilhões em valor com drones de IA para defesa
A Tekever, empresa de origem portuguesa especializada em drones autônomos com inteligência artificial para defesa e vigilância, anunciou o primeiro fechamento de uma rodada Série D de US$ 580 milhões, que avalia a companhia em US$ 6,4 bilhões. A rodada foi liderada pela UC Investments — braço de investimentos da Universidade da Califórnia, em seu primeiro aporte direto na Europa — e pela gestora escocesa Baillie Gifford, com a Merlyn Advisors entrando como nova investidora ao lado de acionistas já existentes como Crescent Cove, Ventura Capital e Iberis Capital.
Os sistemas da Tekever combinam drones não tripulados com software de inteligência para missões de vigilância militar e civil, incluindo patrulhamento marítimo, monitoramento de fronteiras e busca e resgate. Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, os drones da empresa já acumularam mais de 50 mil horas de voo em operações no país. O anúncio da captação vem poucos dias depois de a Tekever ser escolhida pelo Ministério da Defesa do Reino Unido para fornecer o CORVUS, novo sistema de vigilância do Exército britânico, em um contrato que pode chegar a £ 400 milhões ao longo de dez anos.
Segundo a empresa, os recursos serão usados para expandir a presença global, reforçar a capacidade industrial e tecnológica, e financiar aquisições — sinal de que a Tekever pretende consolidar outras empresas do setor de defesa em vez de crescer apenas organicamente.
Guerra na Ucrânia acelera investimento em defesa com IA
O caso da Tekever ilustra como o conflito na Ucrânia vem funcionando como acelerador de investimento em tecnologia de defesa baseada em IA na Europa, com fundos institucionais tradicionalmente conservadores — como o de uma universidade pública americana — topando entrar em rodadas bilionárias desse setor pela primeira vez.