Nova York impõe moratória de um ano no uso de IA generativa por alunos em escolas públicas
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o chanceler das escolas municipais, Kamar H. Samuels, anunciaram uma moratória de um ano no uso de inteligência artificial generativa voltada a estudantes na rede pública da cidade — descrita pela prefeitura como a moratória mais abrangente do país nesse sentido. A medida entra em vigor no ano letivo de 2026-2027 e afeta alunos do 2º ano do ensino fundamental até o 8º ano, cerca de 600 mil estudantes, ou dois terços da matrícula total do sistema.
O anúncio veio oito dias antes do início do ano letivo, em 10 de setembro, depois de meses de pressão de pais, professores e representantes eleitos para que a administração freasse a adoção da tecnologia nas salas de aula. Além da moratória para os anos iniciais, a política introduz módulos semestrais de pensamento crítico sobre IA para estudantes do ensino médio, pilotos limitados de IA em um pequeno número de turmas do ensino médio, e restrições de tempo de tela adequadas a cada faixa etária.
A decisão chama atenção por reverter, na prática, um movimento anterior da própria rede: as escolas de Nova York haviam retirado um bloqueio ao ChatGPT tempos atrás, afirmando na época que o temor inicial havia "ignorado o potencial" da IA. A nova moratória mostra como o pêndulo da política educacional sobre IA generativa segue oscilando, mesmo dentro do mesmo sistema escolar.
O caso de Nova York — a maior rede de ensino público dos Estados Unidos — deve pressionar outros distritos escolares grandes a reavaliar suas próprias políticas sobre IA generativa em sala de aula, num momento em que especialistas em educação seguem divididos sobre até que ponto essas ferramentas ajudam ou atrapalham o desenvolvimento de estudantes mais jovens.