Harvey capta US$ 550 milhões e chega a US$ 15,6 bilhões para construir modelos jurídicos próprios
A Harvey, startup de São Francisco especializada em inteligência artificial para o setor jurídico, fechou uma rodada de US$ 550 milhões que eleva sua avaliação a US$ 15,6 bilhões — ante US$ 11 bilhões apenas seis meses antes. A rodada foi liderada pela Lightspeed Venture Partners e pela Diffusion, com Sapphire Ventures e Whale Rock Capital entrando como novos investidores, além da participação de Sequoia, Andreessen Horowitz e Kleiner Perkins.
Com a nova captação, a Harvey já levantou mais de US$ 1,5 bilhão desde a fundação. A empresa afirma ter cerca de US$ 400 milhões em receita anualizada — o equivalente a cerca de 39 vezes o valor levantado nesta rodada — e uma base de mais de 3 mil organizações clientes, incluindo 80% dos escritórios do ranking Am Law 100, 20% das empresas da Fortune 500 e cinco das dez maiores empresas da Fortune 10.
O novo aporte será usado principalmente para financiar o desenvolvimento de modelos de IA próprios voltados ao setor jurídico — a empresa já anunciou o Harvey Tenet, seu primeiro modelo de peso aberto pós-treinado especificamente para aplicações legais, um movimento que busca reduzir a dependência de modelos de terceiros e dar à Harvey mais controle sobre custo, desempenho e personalização.
O caso da Harvey segue o padrão observado em outras startups de IA aplicada a profissões regulamentadas, como o jurídico: em vez de competir diretamente com modelos genéricos de propósito geral, empresas que constroem uma camada especializada — com confiabilidade, confidencialidade e fluxo de trabalho adaptados à rotina do setor — conseguem sustentar avaliações crescentes mesmo num mercado de capital de risco mais seletivo.