Google, OpenAI e Anthropic cortejam ex-assessor de Trump para liderar novo órgão de padrões de IA
Google, OpenAI e Anthropic procuraram Sriram Krishnan, ex-assessor sênior de políticas de inteligência artificial da Casa Branca, para liderar a proposta de autorregulação batizada provisoriamente de Frontier AI Standards Agency. Krishnan serviu no segundo governo Trump entre janeiro de 2025 e junho de 2026 e, durante esse período, defendia publicamente que "não vai haver uma FDA para a IA", argumentando que uma agência centralizada colocaria "areia nas engrenagens" da revolução da inteligência artificial.
O órgão proposto é inspirado no modelo da FINRA, a reguladora financeira americana responsável por supervisionar corretoras nos EUA. Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, confirmou em 15 de setembro que os três laboratórios vêm coordenando protocolos de segurança em conjunto há várias semanas.
O fato de as três empresas buscarem justamente alguém que defendia publicamente a ausência de um regulador centralizado para liderar seu próprio órgão de autorregulação levanta questionamentos sobre até que ponto essa estrutura terá dentes de verdade — ou vai funcionar mais como uma forma de as empresas definirem suas próprias regras antes que o governo o faça.
Mais um capítulo na disputa sobre quem regula a IA
A movimentação dá continuidade a um debate que já vínhamos acompanhando: a ideia de um órgão de padrões liderado pelos próprios laboratórios de IA, sem participação direta do governo americano, discutida desde julho por Altman, Anthropic e Google DeepMind. Para quem quer entender melhor os termos por trás desse tipo de debate regulatório, vale conferir nosso dicionário de inteligência artificial.