Guterres pede fim dos 'robôs assassinos' na sessão da ONU sobre IA, enquanto Trump chama fiscalização de 'esquema globalista'
A sessão do Conselho de Segurança da ONU sobre riscos da inteligência artificial, anunciada dias antes, aconteceu nesta quarta-feira em meio a um confronto público entre líderes de empresas de IA e o governo americano. Sam Altman, da OpenAI, discursou presencialmente, enquanto Dario Amodei, da Anthropic, e Clément Delangue, da Hugging Face, participaram por videoconferência — todos pedindo cooperação internacional para lidar com riscos que, segundo eles, avançam mais rápido do que a capacidade dos governos de criar salvaguardas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursou em tom mais duro, afirmando que "decisões de vida ou morte jamais devem ser entregues a máquinas" e que "robôs assassinos não podem ter lugar no nosso futuro" — um dos pontos mais fortes de seu discurso de despedida a líderes mundiais.
Um dia antes, na própria Assembleia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos chamou qualquer proposta de fiscalização internacional da IA de "esquema globalista" e voltou a chamar o risco existencial da tecnologia de "boato", defendendo que o único controle necessário é "um presidente com QI alto". Trump também passou a usar o termo "superinteligência" no lugar de inteligência artificial em seus discursos, na direção oposta ao pedido de desaceleração feito por Amodei, Altman e Musk semanas antes.
Por que isso importa
O contraste evidencia uma divisão real entre os próprios líderes das empresas que constroem os modelos mais avançados e o governo do país onde a maioria delas está sediada — pouco depois de Anthropic, OpenAI, Google e SpaceXAI serem processadas nos EUA sob acusação de terem combinado ilegalmente uma desaceleração conjunta. Enquanto isso, o painel científico independente da ONU já recomendava supervisão humana obrigatória para agentes de IA dias antes da sessão, reforçando que a discussão sobre limites e controle é cada vez mais relevante para quem acompanha o avanço de agentes autônomos no dia a dia.